- Relatório apresenta usos e experiências de crianças e jovens (9-17 anos) em Portugal com IA generativa, cruzando inquérito nacional a 2.111 participantes e testemunhos qualitativos de 15 adolescentes.
- Enquadra-se nos projetos do Instituto de Comunicação da Nova (ICNOVA) e do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS.NOVA).
- Objetiva informar sobre o impacto da IA generativa nas vidas digitais de crianças e jovens em Portugal.
Índice e Estrutura do Relatório
- Inclui sumário executivo, metodologia, resultados sobre acessos, competências e atitudes, receios, esperanças, propostas de remediação e conclusões.
- Contém tabelas e figuras detalhando sociodemografia, uso e perceções de IA generativa entre jovens.
Sumário Executivo e Principais Resultados
- 85% das crianças e jovens em Portugal usam IA generativa, com uso crescente com a idade; Portugal destaca-se entre países europeus pelo uso diversificado, especialmente para apoio escolar e aconselhamento emocional.
- Há evidência de divisão digital socioeconómica que afeta acesso e frequência de uso.
- Conhecimento sobre funcionamento e impactos ambientais, éticos e sociais da IA generativa é escasso; o papel da IA é ambivalente entre aprendizagem e riscos de descapacitação.
Recomendações para a Educação
- Envolver crianças e jovens na definição de critérios para uso de IA em trabalhos escolares, promovendo responsabilidade ética e literacia crítica.
- Integrar competências de IA generativa em múltiplas disciplinas para desenvolver pensamento crítico sobre enviesamentos e alucinações.
- Promover equidade no acesso e literacia digital, dada a disparidade socioeconómica no uso.
- Valorizar programas de treino entre pares e famílias e aprofundar pesquisa sobre o impacto da IA na educação.
Recomendações para Conhecimento e Políticas Públicas em Portugal
- INE deve incluir menores de 16 anos nas estatísticas sobre acesso e uso digital.
- Definir idades para acesso digital deve considerar maturidade dos jovens e escutar suas vozes, priorizando direitos e responsabilidade.
- Adolescentes recomendam intervenções ativas das plataformas para segurança e recursos adequados, alinhadas com regulações europeias.
- Estruturas tripartidas envolvendo CNPD, ERC e ANACOM podem melhor responder aos desafios da IA generativa que mera supervisão tecnológica.
Contextualização Sobre IA, Jovens e Sociedade
- IA generativa representa a quarta fase da IA, distinguida pela criação de conteúdos com base em pequenos inputs, simbolizada pelo Chat GPT lançado em 2022.
- Europa busca quadro regulatório robusto, equilibrando inovação e proteção, destacando regulamentos como o Digital Services Act e o AI Act.
- Em Portugal, existem duas estratégias nacionais complementares: Estratégia Digital Nacional (foco em inovação e competências digitais) e Estratégia Única dos Direitos das Crianças e Jovens (foco em proteção e segurança digital).
- Literacia em IA deve abordar conhecimento, competências e atitudes para capacitar crianças e jovens para interação responsável e crítica com as tecnologias.
Metodologia
- Inquérito quantitativo a 2.111 crianças e jovens portugueses (9-17 anos) realizado em 2025, integrado no estudo europeu com 25.592 participantes.
- Explicação clara sobre IA generativa foi fornecida antes das questões para garantir a compreensão.
- Estudo qualitativo semiestruturado com 15 adolescentes portugueses (13-17 anos), abrangendo uma diversidade sociogeográfica e socioeconómica, com abordagem ética rigorosa.
Quem Acede, Em Que Condições, Para Quê
- 85% dos inquiridos usam IA generativa; maior uso em adolescentes mais velhos e em condições socioeconómicas superiores.
- Motivações iniciais para uso incluem curiosidade e influência de pares; acesso material variável, com limitações em bairros sociais e uso em plataformas gratuitas.
- Uso predominante é para trabalhos escolares, criatividade, jogos e aconselhamento pessoal, com destaque para Chat GPT e plataformas como Roblox e Character AI.
- Relatos qualitativos evidenciam perceções de eficácia, facilidade e linguagens neutras da IA, mas também preocupações com limitações das respostas e exposição a riscos em plataformas sociais.
- Relações emocionais com IA são ambivalentes, variando entre a perceção de uma ferramenta e a pessoa simulada, com sentimentos tanto de proximidade como de inquietação perante a antropomorfização.
Conhecimentos, Competências e Atitudes
- Definições espontâneas variam, destacando IA como ferramenta ou robô que cria e ajuda, mas com desconhecimento profundo do funcionamento interno, especialmente nos mais novos e socialmente vulneráveis.
- Competências desenvolvidas incluem pensamento computacional, colaboração e avaliação crítica, apesar de poucos validarem informações externamente.
- Preocupações éticas envolvem direitos de autor na criação colaborativa e manipulação de conteúdos, com cerca de metade dos inquiridos preocupados com imagens e histórias falsas.
- Atitudes sobre dependência da IA são significativas, assim como a percepção ambivalente sobre privacidade e segurança, com níveis variados de confiança ou desconfiança.
Receios, Esperanças e Propostas de Remediação
- Entre receios dominam a perda de controlo humano e impacto no emprego; esperanças incluem estímulo à criatividade.
- Preocupações são maiores entre os mais jovens, raparigas e grupos socioeconómicos desfavorecidos.
- Propostas para melhoria incluem literacia em IA para jovens, integração educativa, regulação das plataformas, alertas de risco e restrições de acesso para faixas etárias mais baixas.
- Responsabilidade atribuída principalmente ao utilizador, pais e empresas, com alguma diversidade de opinião sobre regulação governamental.
Conclusões
- IA generativa já está integrada no quotidiano dos jovens portugueses, com desigualdades de acesso e usos multifacetados ligados a rapidez, facilidade e comunicação personalizada.
- Falta uma literacia crítica efetiva e uma regulação que promova segurança, transparência e apoio ao desenvolvimento saudável dos jovens.
- Recomendam-se ações conjuntas da indústria, governos, educadores, pais e meios de comunicação para garantir ferramentas seguras, respetivas regulações, orientação pedagógica e literacia crítica em IA generativa.
Referências
- Incluem documentos institucionais portugueses e europeus, relatórios científicos internacionais sobre IA e literacia digital, regulamentos europeus e estudos da rede EU Kids Online.



